Brasília, DF
Histórias reais

Uma experiência de hospitalidade em Kentucky

Há menos de uma semana cheguei a Shepherdsville, no estado de Kentucky, para viver uma experiência de dois meses hospedada na casa dos meus amigos americanos de longa data Allison e do Dave. Eles me receberam com carinho e generosidade, abrindo seu lar, dividindo suas coisas e me tratando com a naturalidade de quem realmente quer compartilhar a vida. O combinado é simples: nenhuma cobrança financeira, apenas colaboração com a limpeza e respeito mútuo. Da minha parte, isso é o mínimo, porque o que eles estão fazendo por mim não tem preço que eu pudesse pagar, porque não é sobre a hospedagem em si, é sobre me permitir fazer parte da vida deles, eles perdem privacidade, me ajudam com transporte, me inserem na vida da igreja. Ajudar com a limpeza é o mínimo dos mínimos.

Essa não é a primeira vez que vivo algo assim, tenho expertise em ser hospedada e em hospedar também, mas hoje, vamos focar em ser hospedada. Nesta semana ainda, seguirei para Boston, onde ficarei hospedada por uma semana com outra amiga, a Priscilla, cuja mãe me hospedou em 2012 por metade de um mês. Vou encontrar, também em Boston, outra amiga, a Krissy, que me acolheu por três meses em 2016, em Beverly, Massachusetts. São amizades que resistem ao tempo e à distância, e que me ensinam muito sobre o verdadeiro significado da palavra hospitalidade: abrir não só a casa, mas também o coração.

Ao longo desses dias, tenho pensado sobre as diferenças culturais no ato de hospedar. Aqui nos Estados Unidos, as pessoas tendem a ser mais diretas e menos melindrosas. Se perguntam algo, esperam uma resposta sincera, inclusive um “não”, se for o caso. No Brasil, percebo que muitas vezes esperamos sempre o “sim”, e por isso certas situações acabam se tornando desconfortáveis. Não é uma regra, claro, mas é curioso como o jeito de oferecer e de receber hospitalidade revela tanto sobre cada cultura.

Meu esforço, nesses períodos, é interferir o mínimo possível na rotina da casa. Evito reclamar de qualquer coisa, a não ser que seja algo realmente contra meus princípios (o que felizmente nunca aconteceu). Tento me adaptar, observar, contribuir e aprender. Porque ser hóspede também é um exercício de humildade e empatia, de reconhecer que o lar do outro é um pequeno universo que nos acolhe por um tempo, e que cabe a nós entrar nele com respeito e gratidão.

Essa semana, eu consegui limpar a área deles, que eles chamam de back porch, uma espécie de varanda coberta, com cadeiras e mesas para sentar. Fiquei feliz que ela gostou da minha arrumação! Jogamos juntos, um jogo que eu trouxe do Brasil, e eles super se divertiram e eu também! Que experiência legal a de dividir momentos de diversão em casa! E também fiz um jantar pra eles ontem, macarrão do tipo cabelo de anjo, com carne moída e bacon! Tava uma delícia! como Deus é bom!! Até eu gostei! Me lembrou os versículos de gênesis que fala que ao final de cada criação de Deus, ele gostou do que fez, viu que era bom. Que alegria contribuir positivamente, mesmo que com pequenos gestos!

Que venham mais dias abençoadores nessa casa tão acolhedora!